Psicóloga explica como as instituições de ensino podem se preparar para garantir acolhimento e aprendizagem efetiva
A aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que cria a Política Nacional de Atenção às Pessoas com Transtornos do Neurodesenvolvimento reacendeu o debate sobre a necessidade de as escolas estarem preparadas para atender estudantes com dificuldades de aprendizagem, como TDAH, dislexia e outros transtornos do neurodesenvolvimento. A proposta, que ainda será analisada pelo Senado, prevê medidas para ampliar a inclusão, o diagnóstico precoce e garantir adaptações no ambiente escolar e nos processos de avaliação.
Entre as medidas previstas estão a possibilidade de tempo adicional para provas, ambientes com menos estímulos para distração, uso de recursos tecnológicos, flexibilização dos formatos de avaliação e incentivo à formação continuada de profissionais da educação para uma atuação mais inclusiva. O texto também reforça a importância da articulação entre saúde, educação e assistência social para oferecer acompanhamento adequado aos estudantes.
Para a psicóloga Ana Paula Chaves, especialista em desenvolvimento infantil e aprendizagem, o projeto amplia uma discussão que já faz parte da realidade de muitas escolas. Ela trabalha no Colégio Cresça, na Asa Sul, que há 50 anos trabalha com essa abordagem e é referência no Distrito Federal.
"Mais do que cumprir uma legislação, as instituições de ensino precisam compreender que cada estudante aprende de maneira diferente. O acolhimento, a observação qualificada e a adaptação de estratégias pedagógicas favorecem não apenas o desempenho acadêmico, mas também o desenvolvimento emocional e social da criança", destaca.
Segundo a especialista, o diagnóstico é apenas uma etapa do processo. "O grande desafio é transformar esse conhecimento em práticas pedagógicas eficientes. Isso passa pela capacitação dos professores, diálogo constante com as famílias e construção de um plano de acompanhamento individualizado quando necessário."
A psicóloga ressalta que a inclusão beneficia toda a comunidade escolar. "Quando a escola organiza metodologias mais flexíveis e cria ambientes que respeitam diferentes formas de aprendizagem, todos os estudantes ganham."
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