A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) assumiu novamente o papel de palco de discussões: na quarta-feira (16/9), a Casa da Indústria sediou o primeiro encontro da série Diálogo com a Indústria, ciclo de debates entre o setor produtivo e os candidatos ao Governo de Goiás nas eleições 2026. A abertura foi com Marconi Perillo, postulante pelo PSDB.
“Nossa ideia é discutir com o setor empresarial e com transparência as preocupações da indústria”, disse o presidente da Fieg, André Rocha, ao definir os objetivos dos encontros com os candidatos ao governo: promover o diálogo, a cooperação e parceria entre o setor público e privado, com a discussão de desafios e gargalos da indústria goiana.
Reforma tributária e incentivos fiscais
Conduzido pela gerente de Comunicação do Sistema Fieg, Sandra Persijn, o diálogo partiu de cinco perguntas sobre política industrial, infraestrutura logística, qualificação de mão de obra, sustentabilidade e crédito. Marconi começou a exposição afirmando que a reforma tributária extingue gradualmente o modelo de incentivos fiscais que, segundo ele, Goiás historicamente utilizou para compensar sua distância dos grandes portos e centros consumidores.
O candidato defendeu a manutenção de instrumentos de competitividade para o Estado e salientou que "o novo líder de Goiás terá que botar mãos à obra". Segundo ele, uma das missões de seu governo será fazer de Goiás um terreno atrativo para chamar indústrias. "O que está em jogo é o futuro do nosso Estado", disse, defendendo o dever do próximo governador em trabalhar para alterar os efeitos da reforma tributária sobre Goiás.
Infraestrutura e logística
Sob o objetivo de viabilizar maior escoamento logístico e melhor infraestrutura, Marconi abordou o plano de criar 300 km de novas duplicações rodoviárias, além de rebuscar obras realizadas em sua trajetória política no governo do Estado, em quatro mandatos, a partir de 1999, como a integração à Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) como obras pelas quais afirma ter atuado ao longo de sua trajetória política.

Marconi já foi governador de Goiás por quatro mandatos: 1999 a 2002; 2003 a 2006; 2011 a 2014; 2015 a 2018. Créditos: Naira Batista.
Qualificação profissional e inovação
No tópico de capital humano e inovação tecnológica, Marconi apresentou o programa Goiás Geração Tech, um dos eixos de seu plano de governo. A proposta prevê a criação de um polo de inteligência artificial com base na Universidade Estadual de Goiás (UEG) e na Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeg).
O candidato também expressou que a qualificação de mão de obra não deve se restringir apenas à inteligência artificial e tecnologia, e que almeja ampliar parcerias com o Sistema S para formação de mão de obra a partir de demandas da própria indústria.
Sustentabilidade e licenciamento ambiental
Questionado sobre bioeconomia, terras raras e economia circular, o ex-senador propôs um modelo mais ágil de licenciamento ambiental e outorgas. Perillo afirmou que indicará à Secretaria de Meio Ambiente alguém oriundo do setor produtivo, reforçando que a preservação ambiental é também condição para a competitividade das exportações goianas.

Marconi Perillo é o primeiro participante da série de debates com o setor produtivo promovida pela Casa da Indústria. Créditos: Léo Iran.
Crédito e desburocratização
Reforma tributária e crédito não ficaram de fora do debate: Marconi recuperou o histórico dos bancos de fomento estaduais, os programas Fomentar e Produzir, e relatou ter negociado a criação da Goiás Fomento junto ao governo federal após o fechamento do Banco do Estado de Goiás (BEG) e do Banco Estadual de Desenvolvimento (BD), como medidas de exemplo da postura de seu governo para trabalhar na economia goiana.
O candidato também tratou da situação do agronegócio goiano, que segundo ele responde por 70% da economia do estado, defendendo que o próximo governo lidere um movimento pela securitização das dívidas do setor. Ao fim do encontro, André Rocha entregou ao candidato o Documento da Indústria Goiana, elaborado pela Fieg com demandas, diretrizes e desafios apontados pelo setor produtivo.
Marconi Perillo foi o primeiro candidato recebido pela Fieg nessa série de encontros. O espaço também está aberto aos demais candidatos ao Governo de Goiás que desejarem participar do diálogo com a indústria.
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